atenta #03
a alegria da atenção
Olá, pessoas!
Como vão vocês? Por aqui sigo entre pequenas alegrias e um pouco de cansaço.
Estive pensando sobre atenção nos últimos tempos, como vocês podem deduzir pelo nome do boletim, essa é uma prática que me ocupa bastante. Simone Weil disse que “atenção é a mais rara e pura forma de generosidade”, fala com a qual eu não poderia concordar mais.
Mas não só isso, eu percebo na minha experiência diária que a atenção também é uma forma de alegria. É uma maneira de estar em relação com o mundo que nos cerca, não somente com os outros seres humanos. Sempre que estou atenta, seja qual for o foco da atenção, surge alegria. É assim por aí também? Me conta sobre a sua relação com este tema?
Um abraço e até a próxima,
Clara
Estive atenta:
A prática da atenção, quando colocada na categoria “coisas que eu quero fazer” ou “coisas que eu gosto de fazer” etc., já está fadada ao fracasso, pois, em breve, em um dia de cansaço ou frustração que cedo ou tarde chegará, será colocada na categoria “coisas que eu não quero fazer” e deixará de ser uma prática.
Elaborei as primeiras práticas de atenção em 2009; reescrevi tudo em 2013; reescrevi tudo de novo em 2017; e estão sendo publicadas em livro somente agora, em 2019. Por quê? Porque durante boa parte desses anos, elas estiveram na categoria “coisas que eu gosto de fazer”, sabe como é, quando me dá vontade. Eram textos engenhosinhos escritos por mim, mas sem nenhum impacto real na minha vida.
As práticas de atenção somente se tornaram um hábito quando consegui colocá-las na categoria “coisas que se fazem”, que incluem as clássicas comer e dormir, mijar e cagar, mas também “ser polido e gentil com as pessoas” e meditar. Faço essas coisas não porque eu quero (Deus sabe que quase nunca quero ser polido e gentil com as pessoas) e não porque tenho algum objetivo concreto a atingir (a maioria das pessoas com quem sou gentil e polido não sabe meu nome e nunca me verá de novo), mas porque sim: porque é o que se faz. Não tem nada a ver comigo, com minhas vontades, com meus prazeres.
A escolha é: ou queremos estar aqui, habitando de forma plena o momento presente que está acontecendo agora e que é a culminação última da realidade, ou queremos estar onde sempre estivemos, mastigando ofensas e saboreando vontades, nunca percebendo as pessoas à nossa volta, eternamente orbitando nossos próprios, gigantescos Eus.“Atenção” - Alex Castro
Para prestar atenção:
